Como tratar a rosácea papulopustulosa com os ativos mais calmantes

A rosácea papulopustulosa pode parecer acne adulto, mas não é. E essa nuance importa muito, porque tratá-la como se fossem simples espinhas pode piorar a irritação, o vermelhidão e aquela sensação de queimação. A chave está em entender o que acontece com a pele, quais fatores podem desencadear os surtos e quais ativos ajudam a acalmá-la sem alterar ainda mais sua barreira protetora. Para resolver isso, contamos com a farmacêutica M.Paz Pellús, especialista em dermofarmácia e porta-voz da Druni.

Com a opinião especializada de:
M. Paz Pellús García
M. Paz Pellús
M. Paz Pellús

Farmacêutico

Strategic Consultant & Regulatory Advisor

M. Paz Pellús García

M. Paz Pellús García

O que é a rosácea papulopustulosa?

A rosácea papulopustulosa é uma forma inflamatória e crônica da rosácea. Caracteriza-se pela aparição de pápulas e pústulas –ou seja, lesões parecidas com espinhas, algumas com conteúdo purulento e outras não– sobre uma pele que já costuma estar avermelhada, especialmente na zona central do rosto.

Como explica M.Paz Pellús, “a rosácea papulopustulosa é uma forma inflamatória crônica da rosácea que se caracteriza pela aparição de pápulas e pústulas sobre uma pele avermelhada, principalmente na zona central do rosto”. E acrescenta uma ideia fundamental: “embora muitas vezes seja confundida com acne, tem uma origem e um tratamento completamente distintos”.

Quais são os sintomas da rosácea papulopustulosa?

Uma pessoa jovem com irritação na pele

O sintoma mais visível é o vermelhidão persistente nas bochechas, nariz, testa e queixo. Sobre essa base podem aparecer pequenos grãos inflamados, semelhantes aos da acne, mas com uma diferença importante: na rosácea papulopustulosa não costumam aparecer comedões.

A pele, além disso, costuma se sentir especialmente vulnerável. A farmacêutica aponta que “é frequente que os pacientes relatem também sensação de ardor, coceira e uma pele muito reativa que se irrita facilmente diante do calor, do frio ou de certos cosméticos”. Por isso, muitas pessoas notam que seu rosto reage de forma exagerada a mudanças de temperatura, produtos muito ativos ou rotinas cosméticas muito carregadas.

Quais são as causas da rosácea papulopustulosa?

Não há uma única causa por trás da rosácea papulopustulosa. É uma condição multifatorial na qual intervêm a predisposição genética, uma barreira cutânea alterada e uma resposta imunológica mais intensa do que o habitual.

Segundo a farmacêutica, “sabemos que há uma predisposição genética importante, e que a disfunção da barreira cutânea junto com uma resposta imunológica exagerada desempenha um papel central”. Também foi relacionada com uma maior presença do ácaro Demodex folliculorum, que vive de forma natural na pele, mas que em algumas pessoas aparece em maior concentração.

A isso se somam os desencadeantes clássicos: o sol, o álcool, as comidas apimentadas, o estresse ou as mudanças bruscas de temperatura. Não afetam da mesma forma a todos, mas podem atuar como interruptores de um surto.

Qual é a diferença entre rosácea papulopustulosa e outros tipos de rosácea?

A rosácea não se manifesta sempre da mesma forma. Por isso, é conveniente distinguir suas formas clínicas, principalmente para não confundir a rosácea papulopustulosa com acne, sensibilidade pontual ou vermelhidões passageiras.

Rosácea eritematotelangiectásica

É a forma mais comum e se manifesta com vermelhidão facial persistente e pequenos vasos visíveis. Ao contrário da rosácea papulopustulosa, não apresenta pápulas nem pústulas.

Rosácea fimatosa

Costuma afetar principalmente homens e provoca um espessamento progressivo da pele, principalmente no nariz. É o que se conhece como rinofima.

Rosácea ocular

Afeta os olhos e pálpebras, e pode provocar irritação, secura e sensação de corpo estranho. Neste caso, a abordagem médica é especialmente importante.

A rosácea papulopustulosa, por outro lado, é a que mais costuma ser confundida com acne adulto. A especialista resume assim: “diferencia-se pelo fato de não haver comedões e o componente vascular está sempre presente”.

Tratamento da rosácea papulopustulosa

Médico cruzando os braços enquanto segura um estetoscópio em um jaleco branco

O tratamento da rosácea papulopustulosa deve ser supervisionado por um dermatologista ou farmacêutico especializado. Não é uma pele para improvisar, nem para testar ativos potentes sem critério. Aqui, a constância pesa mais do que a agressividade.

“A nível tópico, o metronidazol, o ácido azelaico e a ivermectina são os ativos mais utilizados com evidência clínica comprovada”, explica M.Paz Pellús. Em casos moderados ou graves, pode-se recorrer a antibióticos orais como a doxiciclina em doses subantimicrobianas, que é utilizada mais por seu efeito anti-inflamatório do que antibiótico.

O importante, lembra a especialista, é entender que se trata de uma condição crônica. Não se trata apenas de apagar um surto, mas de acompanhar a pele com uma rotina adequada e evitar aquilo que a desestabiliza.

Ativos mais calmantes para a rosácea papulopustulosa

Mão em primeiro plano com creme no dedo

Quando falamos de cosméticos para rosácea papulopustulosa, menos costuma ser mais. A pele precisa de ativos que acalmem, hidratem e repararem, não fórmulas agressivas nem rotinas intermináveis.

Pellús destaca a niacinamida, porque ajuda a reduzir o vermelhidão e regular o sebo; as ceramidas, por seu papel na reparação da barreira cutânea; o ácido hialurônico, que aporta hidratação sem resultar pesado; e o pantenol, especialmente interessante quando há ardor, tensão ou sensação de desconforto.

Também convém buscar texturas leves, fórmulas sem fragrância e produtos pensados para pele sensível. Em uma pele com rosácea, um creme aparentemente inocente, mas muito perfumado pode ser suficiente para desencadear desconfortos.

Prevenção e controle da rosácea papulopustulosa

Frasco de protetor solar sobre um fundo laranja

A prevenção começa por observar a pele. Pellús recomenda identificar os desencadeantes pessoais, porque nem sempre são os mesmos em todas as pessoas. Manter um pequeno diário de surtos pode ajudar a detectar se o sol, o vinho, o estresse, o picante ou certos cosméticos estão por trás das pioras.

A fotoproteção diária é imprescindível. Não apenas no verão, nem apenas na praia: também na cidade, no inverno e em dias nublados. Além disso, a especialista insiste em não abandonar o tratamento quando a pele melhora, porque a tendência a recaídas continua lá.

Cuidados básicos para a rosácea papulopustulosa

A rotina ideal para a rosácea papulopustulosa deve ser simples, respeitosa e muito constante. Um limpador suave, um hidratante reparador e um protetor solar formulado para pele sensível podem fazer mais pela pele do que uma coleção de produtos ativos mal combinados.

Como resume M.Paz Pellús, “muitas vezes, menos é mais: reduzir a sobrecarga cosmética e evitar a irritação pode fazer uma grande diferença na evolução da pele”. E aí está, provavelmente, a melhor lição para cuidar de uma pele com rosácea: não tentar dominá-la à base de força, mas aprender a acalmá-la.

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Perguntas frequentes (FAQs)

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O que é a rosácea papulopustulosa?

A rosácea papulopustulosa é uma forma inflamatória e crônica da rosácea que se caracteriza pela aparição de pápulas e pústulas sobre uma pele avermelhada.

Quais são os sintomas da rosácea papulopustulosa?

Os sintomas incluem vermelhidão persistente nas bochechas, nariz, testa e queixo, grãos inflamados sem comedões, sensação de ardor, coceira e pele reativa.

Quais são as causas da rosácea papulopustulosa?

As causas incluem predisposição genética, barreira cutânea alterada, resposta imunológica exagerada, presença do ácaro Demodex folliculorum e desencadeantes como o sol, o álcool e o estresse.

Qual é a diferença entre rosácea papulopustulosa e outros tipos de rosácea?

A diferença reside na presença de pápulas e pústulas, na ausência de comedões e no componente vascular constante; deve-se distinguir de outros tipos como a rosácea eritematotelangiectásica, fimatosa e ocular.

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